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A distância natural
Em Geografia, Edu Rodrigues mostra uma série de fotografias - em formato 6x6, em película, não manipuladas - de crostas de troncos de árvores da Mata Atlântica. Esse conjunto apresenta aproximações que estão, em um primeiro momento, sobrepostas. A perspectiva predominante em todas as imagens 'e a do bird's eye - olhar de pássaro - ou a da visão aérea, proporcionada por uma máquina como o avião. Nos dois casos, somos colocados diante de uma visão que não é própria ao olhar humano.
Não demora muito, entretanto, para se perceber que, diferentemente, essas imagens aparentemente próximas e fiéis à realidade, mostrando a visão de regiões sobrevoadas, são, na verdade, closes que dificultam a ilusão e o distanciamento. Esse movimento " tão longe, tão perto" remete, por sua vez, a uma aflição familiar quando não sabemos exatamente a distancia que nos separa do "mundo".
Essa ambigüidade do trabalho é reforçada também pelo fato de Edu enquadrar as fotografias com lâminas de acrílico nas quais grava, de forma técnica, esquemas que nos lembram tanto o universo da "geografia geral", como o militar, ou seja, os enquadramentos dos mapas escolares e o imaginário envolvendo filmes e imagens reais de guerra. É inevitável lembrar também que os títulos das imagens - Caraúba, Tucupe, Cucura, Paricá - são nomes indígenas que remetem à idéia de contato original com a natureza e por conseqüência com à metáfora da preservação.
Através desse conjunto de "estratégias", nas fotos dessa serie Geografia, Edu propõe, então, significados subjetivos num contexto de aparente precisão e objetividade. Essa dubiedade permanecerá de qualquer maneira como uma inquietação presente no cotidiano de todos nós, em relação à qual a fotografia surge como o meio mais "natural" para abordar o assunto.
Camila Sposati, maio de 2010.